GMV desenvolve metodologia para detecção remota de lixo marinho

O lixo marinho, provocado pelos despejos e pela má gestão de resíduos representa actualmente um problema à escala mundial. Mais de metade destes resíduos é material plástico, um dos maiores poluentes dos oceanos devido à dificuldade de se degradar. O seu impacto ambiental representa uma séria ameaça global aos ecossistemas marinhos e costeiros, tanto pela grande quantidade acumulada como pela sua composição, uma vez que pode levar até 1000 anos a degradar-se.

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A GMV desenvolveu uma nova abordagem baseada em dados remotos para detectar despejos marinhos utilizando imagens fornecidas pelo satélite Sentinel-2 do programa europeu Copernicus para observação da Terra (EO), bem como técnicas de aprendizagem automática (machine learning). Este método de processamento e análise de dados de satélite EO permite detectar possíveis detritos marinhos, classificando e quantificando a fracção de resíduos presentes, com uma resolução de imagem do tamanho de um pixel. As primeiras investigações de detecção e identificação de resíduos plásticos, por exemplo plásticos do tipo PET, já foram realizadas utilizando este método, que está actualmente a ser desenvolvido e validado no âmbito de diferentes projectos e áreas de estudo, incluindo os projectos BEWATS, ATIN-BLUECO e PLESS.

Em colaboração com a Universidade de Vigo e com o Instituto de Ciências Matemáticas (CSIC-UAM-UCM-UC3M), a GMV está a desenvolver o projecto BEWATS. O objectivo consiste na detecção, monitorização e rastreabilidade de resíduos visíveis (macroplásticos e outros) que chegam às praias e a outras zonas costeiras da Galiza (Espanha), a fim de encontrar soluções para este problema e estabelecer estratégias de limpeza mais eficientes utilizando novas fontes de informação. O projecto BEWATS é financiado pelo Programa Pleamar da Fundação Biodiversidade do Ministério para a Transição Ecológica e Desafio Demográfico da Espanha.

O projecto Blue Economy (ATIN-BLUECO), liderado pela GMV e financiado pela Agência Espacial Europeia (ESA), tem por objectivo, entre outras aplicações, desenvolver e demonstrar soluções de dados potenciadas por tecnologias de observação da Terra, que forneçam aos principais actores costeiros informações processáveis sobre lixo marinho e despejos de petróleo. O projecto centra-se na zona geográfica do porto de Vigo, na Galiza (Espanha) e na Argentina.

Por último, em Fevereiro de 2021, a GMV começou a trabalhar como contratada principal pela Plastic-Less Society (PLESS) no projecto financiado pela ESA e desenvolvido em colaboração com o Research Centre of IST for Marine, Environment and Technology (Instituto Superior Técnico, Lisboa). Na PLESS vai fazer-se um estudo para se investigar a viabilidade técnica e económica da utilização de aplicações espaciais em apoio à redução do impacto ambiental do lixo plástico.

Além destes projectos, a GMV também aplicou essa abordagem a outras zonas da Europa, América do Sul e África, onde se disponibilizam dados abertos (open data) sobre lixo marinho.