Home Back New search Date Min Max Aeronáutica Setor Automóvel Corporativo Cibersegurança Defesa e Segurança Financeiro Saúde Indústria Sistemas inteligentes de transporte Serviços públicos digitais Serviços Espaço Blog Espaço Nem dia nem noite: o que os eclipses nos ensinam sobre o Sol 07/08/2026 Share Imagine que está no campo.O Sol brilha intensamente.De repente, a luz começa a diminuir. As sombras mudam, o ar parece arrefecer, os pássaros deixam de cantar, os morcegos saem e, em apenas alguns minutos, o dia transforma-se numa espécie de crepúsculo.Não faz a menor ideia do que se está a passar. Não é de noite, mas também já não parece ser de dia, e tudo escureceu com uma rapidez impressionante. Não há telescópios nem aplicações no telemóvel que expliquem o que está a acontecer.É fácil compreender por que razão, ao longo dos séculos, os eclipses deram origem a mitos, superstições e lendas. Civilizações de todo o mundo interpretaram-nos como sinais divinos, presságios ou avisos. E, embora hoje conheçamos perfeitamente a sua explicação científica, a observação de um eclipse continua a suscitar uma mistura de fascínio e respeito muito semelhante, imagino, àquela que os nossos antepassados terão sentido.O eclipse solar que poderá ser observado a partir de Espanha no próximo dia 12 de agosto será muito mais do que um espetáculo natural. Estes fenómenos ajudam-nos a compreender o comportamento do Sol e relembram a importância de missões como a Proba-3, na qual a GMV participa através do desenvolvimento de tecnologias essenciais para o estudo da coroa solar. No próximo dia 12 de agosto, Espanha será um dos locais privilegiados a partir dos quais será possível observar um eclipse, uma oportunidade excecional para desfrutar de um dos espetáculos mais fascinantes que a natureza tem para oferecer.Porque ocorre um eclipse solar?Um eclipse solar ocorre quando a Lua se interpõe entre a Terra e o Sol e projeta a sua sombra sobre uma parte do nosso planeta. Embora a Lua seja cerca de 400 vezes mais pequena do que o Sol, também está aproximadamente 400 vezes mais perto de nós. Esta extraordinária coincidência faz com que ambos pareçam ter praticamente o mesmo tamanho no céu e permite que, durante alguns instantes, o nosso satélite oculte parcial ou totalmente o disco solar.A sombra que a Lua projeta sobre a Terra pode ser observada com grande clareza em algumas fotografias tiradas a partir da Estação Espacial Internacional. Estas imagens oferecem-nos uma perspetiva diferente do eclipse: a partir do espaço, a sombra lunar distingue-se como uma grande mancha escura que avança sobre a superfície terrestre. O alinhamento entre o Sol, a Lua e a Terra só ocorre quando se verificam determinadas condições geométricas. A órbita lunar está ligeiramente inclinada em relação ao plano da órbita terrestre em torno do Sol, pelo que, na maioria das vezes, os três corpos não chegam a alinhar-se na perfeição. Só quando essa geometria coincide é que ocorre um eclipse.Por trás de um fenómeno que parece quase mágico, há séculos de observações, modelos matemáticos e avanços científicos que nos permitem saber com enorme precisão quando irá ocorrer, quanto tempo durará e a partir de que locais poderá ser observado.Cada eclipse é diferente. Dependendo da geometria do alinhamento e do local de onde se observa, pode ser total, parcial ou anular. Durante um eclipse total, é possível observar fenómenos tão impressionantes como o anel de diamantes ou as pérolas de Baily.Uma oportunidade para estudar o SolOs eclipses são fenómenos de enorme interesse científico. Ao longo da história, têm permitido fazer descobertas fundamentais. Um dos mais conhecidos ocorreu em 1919, quando a observação de um eclipse solar permitiu comprovar experimentalmente a teoria da relatividade geral de Albert Einstein, ao medir o desvio da luz das estrelas provocado pela gravidade do Sol.Atualmente, os eclipses continuam a ser uma oportunidade para estudar a coroa solar, cujo comportamento continua a ser objeto de intensa investigação.Proba-3: um eclipse artificial no espaçoMissões espaciais como a Proba-3, na qual a GMV desempenhou um papel crucial tanto no desenvolvimento de sistemas a bordo como nas infraestruturas terrestres, contribuem para aprofundar este conhecimento. A missão é composta por dois satélites (o Coronógrafo e o Ocultador) que, voando em formação com precisão milimétrica, permitem a observação contínua da coroa solar durante várias horas.Para gerar esse eclipse artificial, ambos os satélites têm de manter uma posição relativa extremamente precisa enquanto voam separados por cerca de 150 metros. Para que funcionem como um único instrumento científico, são necessários sistemas avançados de navegação, controlo e operação, tanto a bordo como em terra. A participação da GMV nestas tecnologias contribui para tornar possível este voo em formação de alta precisão. Atualmente, compreender o comportamento do Sol é também essencial para meteorologia espacial. As erupções solares e as ejeções de massa coronal podem gerar tempestades capazes de afetar satélites, sistemas GNSS (como o GPS ou o Galileo), ligações de comunicações e até mesmo infraestruturas energéticas. Graças às missões de observação solar e aos sistemas de monitorização, é hoje possível detetar estes fenómenos e tomar medidas para minimizar os seus efeitos.A observação solar não só amplia o conhecimento científico, como também ajuda a antecipar fenómenos capazes de afetar serviços essenciais na Terra.A Proba-3 é apenas um dos exemplos de como as missões espaciais podem contribuir para melhorar a vida no nosso planeta através do conhecimento científico necessário para ajudar a proteger serviços essenciais para milhões de pessoas.Como observar o eclipse em segurançaUtilize apenas óculos homologados para eclipses e verifique se não estão danificados. Não olhe diretamente para o Sol, nem através de câmaras, binóculos ou telescópios sem os filtros adequados. Planeie com antecedência o local e o trajeto. Siga as instruções das autoridades e respeite as restrições de acesso e as medidas de prevenção de incêndios.Quando o planeamento não bastaEm 2024, por ocasião do eclipse solar total no México, tive a oportunidade de assistir, pela primeira vez, a um eclipse total de Sol. Como entusiasta da astronomia (e como engenheira), há meses que andava a preparar a viagem. Tínhamos estudado mapas, escolhido um local dentro da faixa de totalidade e acompanhado as previsões meteorológicas.Quando o eclipse atingiu cerca de 70% de ocultação, o céu ficou completamente coberto. Depois de tantos quilómetros e de tanto planeamento, não conseguimos ver o momento culminante do eclipse.Para evitar grandes aglomerações, acabámos por ir a uma escola numa pequena localidade da região de Torreón.Lá, partilhámos a espera com professores, famílias e alunos, que nos receberam como se fizéssemos parte da sua comunidade. Mostrámos-lhes as fotografias tiradas antes da chegada das nuvens e conversámos com as crianças sobre o espaço e a astronomia.Essa experiência recordou-me algo que faz parte de qualquer atividade científica e tecnológica: por mais rigoroso que seja o planeamento, há sempre variáveis que não conseguimos controlar. Preparar-se, adaptar-se e partilhar conhecimentos são aspetos essenciais, tanto para observar um eclipse como para desenvolver uma missão espacial. Autor: Mariasole Melara Share Comentários Your name Assunto Comment About text formats Texto simples No HTML tags allowed. Lines and paragraphs break automatically. Web page addresses and email addresses turn into links automatically. Leave this field blank