Home Back New search Date Min Max Aeronáutica Setor Automóvel Corporativo Cibersegurança Defesa e Segurança Financeiro Saúde Indústria Sistemas inteligentes de transporte Serviços públicos digitais Serviços Espaço Blog Espaço Uma viagem de conhecimento: odisseia de uma tese de doutoramento sobre o lixo espacial 29/12/2023 Share Desde pequeno que sinto curiosidade por compreender como funciona o nosso universo: desde as coisas mais básicas e quotidianas até às ideias e engenhos mais complexos da ficção científica. Durante os anos que passei na universidade, participei em investigações de diferentes campos até que surgiu o lixo espacial. A inquietação por aprender mais levou-me a procurar oportunidades para continuar a investigar e o projeto foi selecionado pela Comunidade de Madrid para realizar um doutoramento industrial. A ideia deste tipo de doutoramento é potenciar a colaboração entre a indústria (GMV) e a universidade (Universidade Carlos III de Madrid, UC3M). Por um lado, a indústria conhece bem os problemas e desafios que a sociedade enfrenta e, por outro, a universidade possui o conhecimento e a criatividade para enfrentar novos desafios. Neste caso, enfrentamos o uso sustentável do contexto espacial. No entanto, neste artigo gostaria de partilhar a minha experiência após realizar uma tese de doutoramento de um ponto de vista pessoal, deixando de lado as equações e gráficos do alarmante crescimento do lixo espacial.O doutoramento não foi algo complementar ao meu trabalho na GMV, foi o meu trabalho a tempo inteiro durante quase cinco anos. Insisto nisso por todas as vezes que alguém, geralmente alheio ao contexto académico, me perguntou: “mas, para além da tese, trabalha?”. Infelizmente, uma grande parte da sociedade não entende bem como um trabalho científico pode representar um sacrifício, a dedicação que requer e a importância que tem continuar a apostar nele. É uma tarefa que requer muita motivação. Pode dizer-se que uma tese de doutoramento se divide em três etapas. Primeiro, identifica-se um problema existente que se quer resolver ou um fenómeno desconhecido que se quer compreender. Segundo, estuda-se a área de conhecimento relacionado em profundidade. Terceiro, investiga-se durante anos para ampliar a fronteira do conhecimento. Tudo isso requer um grande esforço, uma vez que um doutoramento costuma ser um projeto pessoal no qual é comum uma pessoa sentir-se perdida e só perante o abismo. Os problemas de saúde mental dos estudantes de doutoramento são um facto, desde a conciliação da vida profissional e pessoal até ao stresse e incerteza a que se está submetido. No meu caso, tive a sorte de contar com dois maravilhosos tutores em cada lado (universidade e empresa), um fantástico grupo de colegas da GMV e, para além disso, um grande apoio em casa, dos amigos e da família. Este ambiente positivo permitiu-me chegar a desfrutar do processo, mesmo com uma pandemia pelo meio. Apesar das dificuldades e dos aspetos mais negativos, permitam-me que também me detenha nos pontos positivos. Trabalhar no nosso próprio projeto dá liberdade para explorar novas ideias e também uma grande satisfação quando se consegue resolver um problema. A abordagem científica permite aprofundar os aspetos básicos e alcançar um conhecimento técnico avançado. Tive também a oportunidade de assistir a muitos congressos científicos internacionais (Bremen, Munique, Logroño, Maui, Houston, etc.), para conhecer em primeira mão aquilo em que a comunidade está a trabalhar e também contribuir com o meu pequeno grão de areia, apresentando os resultados da minha tese. Para além das viagens, que também são interessantes, poder tomar um café (ou algumas cervejas) com pessoas que estão a trabalhar no mesmo tema partindo de outras abordagens é muito enriquecedor. Como tenho a sorte de trabalhar numa coisa que adoro, também gosto de divulgar ciência e de transmitir o meu trabalho ao público em geral. O uso sustentável do ambiente espacial é um dos grandes problemas criados pelos seres humanos e é, portanto, nossa responsabilidade trabalhar resolvê-lo. Há um mês, recebi a notícia de que a Fundação ENAIRE selecionou a minha tese para os XXVIII Prémios Aeronáuticos na categoria de Espaço. Sinto-me orgulhoso por ver o meu esforço reconhecido e também por dar-se visibilidade ao problema do lixo espacial. Espero que este reconhecimento ajude os jovens talentos a interessar-se pelo tema e talvez também, quem sabe, que decidam aventurar-se num doutoramento. Autor: Alejandro Pastor Share Comentários Your name Assunto Comment About text formats Texto simples No HTML tags allowed. Lines and paragraphs break automatically. Web page addresses and email addresses turn into links automatically. Leave this field blank