Home Back New search Date Min Max Aeronáutica Setor Automóvel Corporativo Cibersegurança Defesa e Segurança Financeiro Saúde Indústria Sistemas inteligentes de transporte Serviços públicos digitais Serviços Espaço Blog Tudo Cibersegurança Cibersegurança compreensível... Para quê? 07/07/2023 Share “44% dos executivos espanhóis não prioriza a cibersegurança porque a linguagem utilizada neste setor é confusa“. Este foi o título de uma notícia que a Europa Press publicou no passado dia 30 de maio, baseada no estudo “Separados pela mesma linguagem”, realizado pela empresa de cibersegurança Kaspersky. Pode lê-la aqui. Poderia considerar-se como o enésimo estudo deste tipo, apesar de me chamar a atenção porque destaca um assunto que pode ter efeitos profundos num tema altamente complexo como a cibersegurança. Existe vontade de democratizar este conhecimento? Existe interesse em receber este conhecimento e assimilá-lo? Não conheço resposta de amplo consenso para nenhuma das duas perguntas. Democratizar o conhecimento em cibersegurança implica um duplo esforço. O primeiro está relacionado com a autoproteção do coletivo, a defesa do próprio, a consolidação do exclusivo. Num processo de abertura, poderia perder-se a especialização reservada a poucos. Ainda há muita reserva do “antigo” paradigma de segurança por escuridão, baseado em limitar ao máximo a informação e que atualmente se mostra na forma de inundar o discurso de tecnicismos ou preencher lacunas. Exemplo disso são frases do estilo “a cibersegurança é um investimento e não uma despesa” e muitas outras, absolutamente desgastadas neste momento. O segundo desses esforços centra-se em dirigir as mensagens ciber, muitas delas de alta intensidade técnica, à audiência mais profana. Neste caso, o perfil da audiência é de vital importância. Se este perfil não se sincronizar com o nível técnico da mensagem, seria considerado uma perda de tempo por aquele que tenta transmitir o conhecimento e, do outro lado, iria ocorrer uma perda de interesse por parte da audiência ou, inclusivamente, poderia insultar a inteligência de alguns deles. Sobre o interesse de entender a cibersegurança, vai por zonas e por momentos. Às vezes, tenho a certeza de que existe e outras penso que não. Num lado da balança, temos a necessidade de conhecer o porquê de a cibercriminalidade nos afetar a todos, e muito, para além de aspetos que nos provocam dano (dinheiro, reputação, orgulho...); do outro lado, temos o medo e a apatia que o tema provoca. Também não tenho a certeza de que fosse possível equilibrar o hipotético peso de ambos os lados. Para mim, saber sobre cibersegurança é útil e prático. No meu caso, primeiro chamou-me a atenção (o mundo dos espiões, o desafio de decifrar...) e isso motivou-me a aprender. A situação mais habitual é bem diferente: primeiro sofre-se um ciberincidente e isso “motiva” a capacitação mínima para que não volte a ocorrer (aprender à força). Mas, se repararmos bem, perceberemos que já todos sabemos muito sobre segurança na vida não digital. No geral, temos interiorizadas as atitudes de prevenção, de desconfiança sobre o “demasiado bonito para ser verdade”, de estar em alerta perante certas ameaças de outros... E é simples passar essas aprendizagens para o âmbito digital. Não nos deixemos assustar com tanto tecnicismo e acrónimos. Por exemplo, a quase totalidade dos ataques ransomware que tiveram êxito (por exemplo, o ransomware Ryuk que tanto dano fez ao SEPE em 2021) deveu-se ao facto de alguém receber um e-mail malicioso e cair na armadilha digital de clicar num link que esse correio eletrónico continha ou abrir um suposto documento anexo com a surpresa dentro que, uma vez libertada, se pode estender a outras máquinas com extrema facilidade. Esse “alguém” é como qualquer um de nós, como o seu chefe e como o meu cunhado, como o Elon Musk ou como o Cristiano Ronaldo. Em resumo, um ser humano com os seus pontos fortes e fracos que pode ser apanhado em falso, da maneira mais tola e no seu pior momento. Por isso não se castigue se um dia isto lhe acontecer e tente compreender o cibercontexto que o rodeia. Autor: Javier Zubieta Share Comentários Your name Assunto Comment About text formats Texto simples No HTML tags allowed. Lines and paragraphs break automatically. Web page addresses and email addresses turn into links automatically. Leave this field blank