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A Europa está preparada para um ciberataque em grande escala?

29/06/2026
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Ciberataque

«Estai vigilantes, porque não sabeis nem o dia nem a hora.» 

No domínio da cibersegurança, esta passagem bíblica — Mateus 25, 13 — tem uma atualidade evidente. E com três fatores agravantes: sabemos que os ataques irão acontecer; conhecemos muitos dos atacantes, as suas ferramentas e as respetivas motivações; e conhecemos também muitas das técnicas e procedimentos que irão utilizar para nos atacar.

Ainda assim, enfrentamos desafios: temos de estar preparados 24 horas por dia, 7 dias por semana, com equipas qualificadas para detetar qualquer ataque e reagir em tempo útil. Além disso, precisamos que as nossas medidas de proteção sejam praticamente perfeitas, tanto na sua conceção como na sua configuração e cobertura, porque qualquer descuido ou erro, ainda que acidental ou involuntário, pode dar vantagem ao atacante. Ao mesmo tempo, têm demonstrado regularmente a sua capacidade de inovação e, em muitos casos, dispõem de recursos consideráveis para planear e executar as suas operações.

Por isso, é importante reconhecer que nunca estaremos 100% preparados para todos os ataques que possam vir a acontecer.

Ciberseguridad

A Europa sabe disso e está a preparar-se: a Ciberreserva

A Comissão Europeia está plenamente consciente da sua vulnerabilidade perante os atacantes, enquanto interveniente de peso no cenário internacional e alvo atrativo para aqueles que pretendem obter ganhos financeiros através de ciberataques. A Europa, os seus cidadãos, as suas empresas e os seus governos estão na mira destas ameaças.

No entanto, a capacidade de preparação e resposta não é uniforme na União Europeia. Existem diferenças significativas entre os Estados-Membros em termos de maturidade tecnológica, capacidades de ciberdefesa, disponibilidade de talento especializado e nível de proteção das suas organizações públicas e privadas. Enquanto alguns países, como Espanha, dispõem de ecossistemas avançados de cibersegurança e de estruturas nacionais consolidadas — mais de 300 centros de resposta a ciberincidentes na sua rede nacional, incluindo a GMV, classificada como entidade «Gold» —, outros Estados-Membros enfrentam maiores limitações técnicas e organizacionais, tanto em termos relativos como absolutos.

A Comissão Europeia está plenamente ciente desta realidade e tem vindo a promover o reforço da resiliência digital europeia através de medidas legislativas. O Cybersecurity Act (CSA), o DORA ou a NIS2 são já bem conhecidas; o Cyber Resilience Act (CRA) e o EU Space Act também o serão. Mas gostaria de chamar a atenção para o Cyber Solidarity Act, que visa reforçar a cooperação entre os Estados-Membros, acelerar o desenvolvimento da cibersegurança e preparar uma resposta conjunta a grandes crises cibernéticas. 

O Cyber Solidarity Act define e cria a Ciberreserva europeia, um mecanismo comum coordenado pela ENISA que permite a mobilização de prestadores de serviços de cibersegurança especializados para apoiar os Estados-Membros com recursos técnicos, organizacionais e estratégicos avançados. O objetivo é ajudar países, empresas e infraestruturas sempre que necessário. 

Graças à Ciberreserva, mesmo os Estados-Membros com menos recursos ou capacidades mais limitadas poderão aceder rapidamente a serviços avançados de monitorização de ameaças, resposta a incidentes, análise forense ou recuperação de sistemas em coordenação com a ENISA e restantes Estados-Membros. Este mecanismo prevê também o reforço das medidas de proteção antes da ocorrência de um ataque, bem como a colaboração com outros países associados à União Europeia.

Ciberataque

O papel da GMV na Ciberreserva

A Ciberreserva é composta por um grupo restrito de fornecedores acreditados, selecionados após um rigoroso processo de avaliação técnica e operacional. Entre este encontra-se a GMV, que contribui com mais de três décadas de experiência em cibersegurança e ciberdefesa. Através do seu CERT — Centro de Resposta a Incidentes —, participa ativamente no apoio a vários países. Nesta qualidade, a empresa já ativou os serviços da Ciberreserva em várias ocasiões, com excelentes resultados e elevada aceitação tanto por parte da ENISA como dos Estados-Membros e das empresas que beneficiaram desse apoio. 

O exemplo mais recente correu em junho de 2026, com a participação da GMV no «CyberEurope 2026», um exercício cibernético onde foi testada a resposta conjunta da União Europeia perante um incidente de grande escala que afetasse um setor crítico. A empresa participou com duas equipas independentes: uma envolvida na coordenação da simulação do ataque e a outra atuou como centro de resposta a incidentes dos setores atacados. A ENISA já publicou as primeiras conclusões e lições retiradas deste exercício

 

Então, está a Europa preparada para um ciberataque em grande escala?

Para responder a esta pergunta, vou recorrer aos clássicos: «Hoje estou mais preparado do que ontem, mas menos do que amanhã.»

Num contexto em que as ameaças evoluem constantemente e ultrapassam as fronteiras nacionais, a Europa avança para um modelo de defesa digital assente na cooperação, na resiliência partilhada e na mobilização de capacidades especializadas de alto nível. A integração da iniciativa e capacidade privada através da Ciberreserva permite articular estas capacidades e  utilizá-las de forma mais eficaz consoante o tipo de atacante, o objetivo do ataque e a estratégia de resposta necessárias em cada caso.

As ameaças comuns exigem uma resposta público-privada, transnacional e baseada nas melhores capacidades disponíveis, de modo a garantir a resposta mais eficaz.

Autor:  Mariano Benito

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