Home Back New search Date Min Max Aeronáutica Setor Automóvel Corporativo Cibersegurança Defesa e Segurança Financeiro Saúde Indústria Sistemas inteligentes de transporte Serviços públicos digitais Serviços Espaço Blog Corporativo Uma viagem no Hespérides 10/06/2024 Share Não é todos os dias que nos dizem que, por causa do nosso trabalho, temos a oportunidade de ir à Antártida a bordo do BIO (navio de investigação oceanográfica) Hespérides. Quando cheguei à divisão de RAE (Receiver and Advance Equipment), há cinco anos, e ouvi falar dessa possibilidade pela primeira vez, vi-a como algo distante, como um quase impossível. Neste ano, no entanto, o que até então era uma possibilidade tornou-se realidade e, desde o final de fevereiro até ao início de abril, estive em missão, participando no projeto IHM Galileo. Refiro-me ao facto de ir em missão, mas ir à Antártida não é uma missão qualquer, e isso diz-nos que a GMV não é uma empresa qualquer.Na NUSP (Navigation User Segment & PRS)/RAE (Receiver and Advance Equipment), trabalhamos há vários anos no desenvolvimento de recetores PRS, um serviço regulado do Galileo cujo objetivo fundamental é proporcionar posicionamento robusto em contextos degradados por jamming (interferências intencionais) e spoofing (representação de identidade). Liderado pela DGAM (Direção Geral de Armamento e Material) e coordenada pelo IHM, a GMV faz parte do projeto IHM-Galileo, que tem como objetivo testar as prestações do serviço em latitudes polares.Os preparativos foram curtos. O dia-a-dia dos projetos mal me deu tempo para pensar na viagem, para além das revisões médicas e dos aspetos administrativos com o Comité Polar Espanhol e com a própria Armada espanhola. Foram passando os dias e, no meio de uma certa sensação de irrealidade e de ainda não acreditar, quase sem me dar conta, chegou o dia 22 de fevereiro e fui ao aeroporto apanhar um avião com destino a Punta Arenas, no Chile.Os dias em Punta Arenas serviram para estabelecer os primeiros laços com a equipa, composta por um capitão de Fragata e por um capitão de Corveta do IHM, um tenente-coronel da DGAM e um engenheiro da empresa Cipherbit, com a qual trabalhamos no desenvolvimento dos recetores. Essa espera foi curta, mas tornou-se longa, sobretudo à mais de meia hora de espera pelo resultado de um teste COVID tão surpreendente como inesperado; um positivo enviar-nos-ia para casa! O momento chegou durante a tarde: controlo do passaporte no cais internacional e, finalmente, o embarque a bordo do Hespérides, sem dúvida um dos momentos mais emocionantes da viagem. Ao Jorge Andreu (chefe da divisão RAE) e ao Manuel Toledo (chefe da unidade NUSP), gostaria de enviar uma mensagem de agradecimento. Desde que me comunicaram, por volta de novembro de 2023, que ia fazer parte do projeto, passaram-se cinco meses de alegria crescente, um ou outro sobressalto e vontade, muita vontade que, finalmente, se estavam a materializar quando o barco rumou aos Canais Patagónicos, atravessando o estreito de Magalhães a caminho das ilhas Shetlands do Sul.Rumo ao sul, começámos a ver os primeiros icebergs. Mais tarde, a aproximação à ilha do rei George impressiona, estamos a chegar à Antártida e tenho de me beliscar para acreditar. A paisagem de gelo é esmagadora e sente-se no ambiente a vontade de começar a trabalhar.Depois de uma passagem pela base do CSIC “Juan Carlos I”, onde desceu parte do grupo de cientistas, no dia 4 de março, passámos pelos Neptune’s Bellows e entrámos no antigo vulcão da ilha Deception, onde descemos para a base do Exército de Terra “Gabriel de Castilla”. A receção é muito calorosa, diria que se respira até uma certa irmandade. Os dias que se seguiram ao primeiro dia em terra foram de muita atividade. As descidas a terra sucederam-se, sempre em colaboração com os outros projetos que partilhavam campanha connosco, projetos fundamentalmente de geologia, biologia e virologia. Muito trabalho em terra a gravar sinal GNSS para os processar posteriormente a bordo e comparar os nossos resultados com os equipamentos comerciais. Na ilha Half Moon, em Yankee Harbour, vivemos um dos momentos mais espetaculares da viagem: uma descida a terra numa pinguineira com, diria eu, centenas de milhares de pinguins. Depois, até que nos recolhessem, a espera tornou-se longa, com chuva e bastante frio. Voltámos encharcados e com as mãos geladas, mas com a sensação do trabalho bem feito. Os dias passaram rápido. Um dos equipamentos que tínhamos comprado para fazer algumas medições dava-nos problemas. Senti o apoio de todos os colegas que ficaram em Madrid e que não economizaram tempo nem esforço para me apoiar e para levar o projeto a bom porto, nunca melhor dito.Em Deception, vivi algo inesperado, que foi a presença de turistas na Whalers Bay. O debate está aberto, mas há vozes que se preocupam com o impacto de uma atividade turística crescente e não é para menos.E tudo o que começa tem um fim: no dia 21 de março, depois de vários cancelamentos, embarcamos no avião que nos trouxe de regresso a Punta Arenas. A descolagem da pista de terra da ilha de Rei George é mais uma experiência única.A missão terminou no regresso a Madrid. O capitão de Fragata, subdiretor do IHM, quase a passar para a reserva, recordou-nos de algo que se diz na Marinha: um mês num navio pode criar amizades que duram uma vida inteira, ele sabe-o por experiência própria.Para terminar, deixo aqui algo simbólico, mas que me parece importante para dar visibilidade às ameaças que a Antártida enfrenta: uma ligação para apadrinhar pinguins. Apadrinhando um, comprometemo-nos com o cuidado da Antártida e do meio ambiente.https://ejercito.defensa.gob.es/unidades/Antartica/antartica/apadrinamiento/index.htmlEu já apadrinhei o meu, chama-se Galileo. Autor: Arturo Vinué Visús Share Comentários Your name Assunto Comment About text formats Texto simples No HTML tags allowed. Lines and paragraphs break automatically. Web page addresses and email addresses turn into links automatically. Leave this field blank