Home Back New search Date Min Max Aeronáutica Setor Automóvel Corporativo Cibersegurança Defesa e Segurança Financeiro Saúde Indústria Sistemas inteligentes de transporte Serviços públicos digitais Serviços Espaço Blog TelecomunicaçõesA GMV no programa Galileo Porque é que o Celeste IOD-1 pode alterar a navegação por satélite? 03/06/2026 Share A navegação por satélite faz parte do nosso quotidiano. Desde aplicações móveis e veículos conectados até redes elétricas, telecomunicações ou serviços de emergência, grande parte das infraestruturas modernas depende de sinais de posicionamento, navegação e sincronização de tempo —do inglês Positioning, Navigation and Timing PNT).Durante décadas, sistemas globais como o Galileo ou o GPS, assentes sobretudo em satélites em órbita terrestre média (MEO), forneceram serviços cada vez mais precisos e fiáveis. No entanto, as necessidades tecnológicas continuam a evoluir. A emergência de veículos autónomos, de infraestruturas críticas hiperconectadas e de aplicações que exigem uma elevada resistência às interferências está a impulsionar uma nova geração de sistemas de navegação.Foi neste contexto que nasceu a Celeste, missão de demonstração conduzida pela Agência Espacial Europeia (ESA) com o objetivo de demonstrar o potencial da integração de satélites em órbitas baixas para complementar as atuais capacidades do Galileo e do EGNOS.Porquê levar a navegação para órbitas baixas?Os atuais sistemas de navegação por satélite operam principalmente a partir de órbitas a uma altitude de cerca de 20 000 quilómetros. Esta arquitetura provou ser extremamente fiável, mas apresenta limitações inerentes à distância a que os sinais são gerados.Os sinais que chegam de órbitas médias são extremamente fracos, o que os torna vulneráveis a interferências, bloqueios ou ataques. Além disso, certas aplicações emergentes exigem maior robustez e tempos de resposta mais dinâmicos.É aqui que entram em ação as constelações LEO-PNT (Low Earth Orbit – Positioning, Navigation and Timing). Ao operarem entre aproximadamente 500 e 1200 quilómetros de altitude, os satélites podem transmitir sinais mais fortes e utilizar bandas de frequência diferentes, mais difíceis de interferir, melhorando a resistência e alargando as capacidades dos atuais sistemas de navegação..A visão para o futuro não é substituir o Galileo, mas sim complementá-lo com uma arquitetura multi-órbita capaz de combinar as vantagens de diferentes altitudes orbitais. É precisamente esse o objetivo estratégico da Celeste.Celeste: uma nova camada de navegação europeiaA Celeste representa um dos projetos europeus mais inovadores no domínio da navegação por satélite. Liderado pela Agência Espacial Europeia e desenvolvido pela indústria espacial europeia, o programa pretende demonstrar como as constelações LEO podem ser integradas no ecossistema de navegação europeu para fornecer serviços mais robustos, precisos e resilientes.Para além da sua componente tecnológica, o programa assume também uma forte dimensão estratégica. A Europa procura reforçar a sua autonomia tecnológica e preparar a próxima geração de serviços PNT num cenário global cada vez mais exigente e competitivo.O próprio nome do programa tem um significado especial. «Celeste» presta homenagem a Maria Celeste Galilei, filha de Galileu Galilei, evocando a curiosidade científica e ligação histórica à exploração do céu e do conhecimento. Celeste IOD-1: do conceito à realidadeO programa encontra-se atualmente na fase Celeste In-Orbit Demonstrator (IOD), uma missão de demonstração destinada a validar as principais tecnologias de navegação em voo a partir de órbitas baixas.A constelação IOD será composta por um máximo de onze satélites desenvolvidos por dois consórcios europeus que trabalham em paralelo. O consórcio liderado pela GMV é responsável pelo desenvolvimento de seis destes satélites, incluindo o primeiro satélite de demonstração da missão: o Celeste IOD-1.Este primeiro satélite foi desenvolvido pela GMV em conjunto com a Alén Space numa plataforma 12U CubeSat — um formato compacto, mas com capacidades avançadas para validar tecnologias críticas de navegação.Um dos aspetos mais marcantes do programa Celeste é não só a sua ambição tecnológica, mas também a rapidez com que está a ser desenvolvido. O projeto arrancou oficialmente em março de 2024 e, apenas dois anos depois, os primeiros satélites da missão, Celeste IOD-1 e Celeste IOD-2, foram lançados com sucesso a 28 de março de 2026, a partir da Nova Zelândia a bordo de um lançador Rocket Lab Electron.No contexto de uma missão de navegação por satélite, estas escalas de tempo são extraordinariamente rápidas, mesmo para uma missão de demonstração. A Celeste representa claramente uma nova forma de desenvolver missões espaciais sob o paradigma New Space: iterações mais ágeis, equipas altamente integradas e uma elevada capacidade de adaptação.Este ritmo constituiu também um grande desafio para todas as equipas envolvidas. Para a GMV, liderar uma missão com estas caraterísticas num período tão curto implicou enfrentar um nível muito elevado de exigência técnica e operacional. Mas o esforço está a dar frutos.A manhã de 8 de abril marcou um dos momentos mais especiais do programa. As equipas da ESA e da GMV reuniram-se no ESTEC para receber o primeiro sinal de navegação transmitido pelo Celeste IOD-1.Este marco tem um significado histórico para a Europa: o sinal enviado pelo satélite da GMV tornou-se a primeira transmissão europeia de navegação dupla em banda L e S de uma missão LEO-PNT.Para além do demonstrador: o futuro da da navegação por satélite europeiaO Celeste IOD é apenas o primeiro passo de um roteiro muito mais ambicioso. Após a fase de demonstração, o programa prevê avançar paranovas etapas de industrialização e validação em órbita, com o objetivo de desenvolver satélites mais avançados e amadurecer as tecnologias necessárias a uma potencial futura constelação operacional.A visão a longo prazo passa por construir um sistema europeu multi-orbital totalmente integrado com o Galileo e o EGNOS, capaz de fornecer serviços mais precisos, robustos e fiáveis para aplicações críticas como a condução autónoma, os serviços 5G/6G ou a proteção de infraestruturas críticas.Num contexto em que a dependência dos serviços PNT continua a aumentar, iniciativas como a Celeste mostram como a Europa está a preparar, hoje, as capacidades que irão definir a navegação por satélite de amanhã Autor: Andrés Juez Share Comentários Your name Assunto Comment About text formats Texto simples No HTML tags allowed. Lines and paragraphs break automatically. Web page addresses and email addresses turn into links automatically. 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