Primeira utilização do EGNOS na aviação civil

O dia 17 de Outubro constitui um marco para a navegação em Espanha pelo facto de o aeroporto de Parayas (Santander) ter sido o primeiro da rede AENA a receber autorização para utilizar o sistema europeu EGNOS de navegação por satélite. Pela primeira vez em Espanha, um avião equipado com a tecnologia necessária poderá aterrar num aeroporto utilizando o sistema europeu EGNOS de navegação por satélite, o que representa um importante avanço em termos de segurança, operação e redução de custos, especialmente para as linhas aéreas regionais e para a aviação em geral.

O Serviço Aberto da EGNOS começou a funcionar em Outubro de 2009 para as aplicações que não envolviam risco de vida, tais como a navegação pessoal, o seguimento de mercadorias ou a agricultura de precisão. Em Março de 2011, a Comissão Europeia declarou o serviço “Safety-of-Life” do EGNOS apto para utilização na aviação civil, iniciando um grande trabalho para preparar o contexto operacional, sobretudo a concepção de procedimentos de aproximação instrumental, voos de teste e análises de segurança operacional.

O EGNOS é um sistema de ampliação baseado em satélites (SBAS) que melhora a precisão e a integridade dos sinais de navegação por satélite na Europa. O sistema consiste numa série de emissores-receptores instalados em três satélites geoestacionários situados sobre a zona oriental do Oceano Atlântico e sobre a Europa, ligados por uma rede com quatro centros de controlo e cerca de quarenta estações terrestres. Este serviço garante que os sinais estão em conformidade com os exigentes níveis de fiabilidade requeridos pelos padrões da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), adaptados ao espaço europeu pelo Eurocontrol, a Organização Europeia para a Segurança da Navegação Aérea.

O EGNOS faculta os meios para uma pilotagem precisa e segura nas aproximações a pequenos aeroportos, permitindo a sua implantação reduzir atrasos, cancelamentos e desvios de voos que operem nesses aeroportos, com más condições de visibilidade, melhorando também a segurança dos passageiros.

Para poderem utilizar o EGNOS nas aproximações, os fornecedores de serviços de navegação aérea (AENA, no caso espanhol) devem publicar novos procedimentos de aproximação por instrumentos com base neste sistema, devendo as aeronaves estar equipadas com receptores compatíveis e facultar-se aos operadores a correspondente certificação.

O EGNOS é o resultado de um triplo acordo entre a ESA, a Comissão Europeia e o Eurocontrol, iniciado há cerca de 15 anos. Como gestora inicial do programa EGNOS, a ESA concebeu, certificou e contratou o desenvolvimento do sistema a um consórcio industrial liderado pela Thales Alenia Space France, com uma forte participação da indústria espanhola e da GMV em particular. A gestão do programa passou para as mãos da Comissão Europeia em 2009, ficando a ESSP, entidade baseada em Toulouse (França), a supervisionar as operações quotidianas do sistema.

A GMV desempenhou um papel relevante desde o início do programa EGNOS, participando activamente nas fases de concepção e definição do sistema. A principal contribuição da GMV para o programa EGNOS foi o desenvolvimento do CPFPS (EGNOS Central Processing Facility Processing Set), frequentemente denominado coração do Sistema EGNOS, uma vez que constitui o elemento responsável pelo cálculo de todas as correcções que se enviam ao utilizador, incluindo a mensagem de integridade.

A GMV também participou activamente no desenvolvimento de bancos de testes (System Test Bed), simuladores (EGNOS End to End Simulator), ferramentas de análise e monitorização e ferramentas de qualificação do sistema (como o ASOF – Application Specific Qualification Facility), além de um grande número de actividades auxiliares.
No início de Setembro, a Agência Estatal de Segurança Aérea (AESA) deu o visto para se começar a operar no aeroporto de Santander com o sistema EGNOS, a partir de 17 de Outubro. Para o primeiro semestre de 2014 também se prevê a implementação nos aeroportos de Almeria, Valência e Sevilha.