Tecnologia para eliminação activa de lixo espacial

A grande quantidade de objectos não operativos em órbita não deixa de fazer crescer a preocupação pela segurança no espaço em face das actividades espaciais presentes e futuras. Muitas agências espaciais e especialmente a Agência Espacial Europeia (ESA) começaram a pôr em prática projectos para redução e eliminação do lixo espacial.

No âmbito destas actividades, os futuros satélites geoestacionários (GEO) e de órbita baixa (LEO) deverão efectuar manobras de retirada para órbitas-cemitério, no caso dos GEO, ou reentrada destrutiva na atmosfera para o caso dos LEO, no fim da vida útil de uns e de outros, com uma fiabilidade de 90%.

A directriz da ESA não exclui a necessidade de conceber futuras missões de retirada activa do lixo espacial (Active Debris Removal ou ADR) na actualidade, visto que embora a retirada dos futuros satélites GEO e LEO deva estar coberta por uma taxa de sucesso a 90%, estas missões de ADR devem cobrir os resíduos espaciais que actualmente existem, bem como as possíveis falhas dos sistemas de retirada autónoma das futuras missões.

A GMV está a desempenhar um importante papel na concepção e desenvolvimento do GNC das missões ADR, assim como nas técnicas de captura e retirada baseadas em redes.

Recentemente, a ESA adjudicou à GMV o projecto “Design for Removal (D4R) cujo objectivo consiste em incrementar a viabilidade de uma missão de ADR identificando os conceitos a ter em conta na concepção, fabrico e operação de futuros satélites ou lançadores.

Os conceitos identificados neste projecto ajudarão as missões de ADR numa série de aspectos-chave como, por exemplo, a identificação de elementos que auxiliem o seguimento e estimativa da posição e atitude do lixo, tanto a partir da Terra como em órbita, para que se possa melhorar o conhecimento inicial do estado dos elementos a retirar e, posteriormente, da sua trajectória para determinar as características da missão de ADR. Em segundo lugar, nos temas relacionados com a estabilização da atitude dos satélites ou dos elementos a retirar, já que uma atitude não controlada representa um sério obstáculo para a fase de captura e eliminação dos objectos. Por último, na identificação dos elementos que facilitem a captura e posterior eliminação do sistema.

A eliminação activa de lixo espacial (ADR) é uma tarefa complexa que ainda não foi completamente demonstrada, motivo pelo qual a iniciativa D4R representa mais um passo nos esforços para a protecção das futuras actividades espaciais.